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15 julho 2008

intervalo

[Per7ume - Intervalo]

Ando apaixonada por esta música! I'm in love with this song!
☀
Um poema que descobri aqui e gostei: A poem that I discouvered here and liked:

embalo de riso

canto em pranto
choro em canto
abraça-me ó sono
tu que só sabes ser morno
a quentura
não me podes dar
escolhe os sonhos a dedo
mete-os no meu riso
embala-me ó sono
embala-me
conta-me do veludo
conta-me do cetim
fala-me da renda preta
faz o meu choro ser canto
ó sono

☀
Agradecimentos: Thanks:
☀A querida Mafalda (Sweetie Mafalda) ofereceu-me um monte de mimos. Que bom querida, sinto-me tão mimada! :) Obrigada! Sweetie Mafalda gave me a lot of sweet gifts. That's nice dear, I am so delighted! :) Thank you!
☀A minha querida amiga dos antípodas, Marja, considerou o Bom feeling um "Brillante Weblog". Fico muito feliz, querida, muito obrigada! My dear friend of diametrically opposed country, Marja, considered Bom feeling a "Brillante Weblog". I am very happy, dear, thank you!
☀E mais um monte de mimos chegou-me da querida Sarinha. Muito obrigada, fico muito contente! A lot of sweet gifts more got to me from dear Sarinha. Thank you, I am very happy!
☀E a Daniela atribuiu-me este lisongeante prémio. Muito muito obrigada, querida! And Daniela gave me this prize. I thank you, dear!
Beijo especial para todas. Special kiss for you all.

29 abril 2008

amigos imaginários # imaginary friends


APELO:

Amigos, se têm, tiveram ou conhecem que tenha amigos imaginários, falem-me da vossa experiência. Se não tiveram mas sabem alguma coisa sobre o assunto também podem partilhar comigo esse conhecimento. Estou a pesquisar este assunto para um novo conto. Agradeço a vossa colaboração.


CALL:

Friends, if you have, had or know who has had imaginary friends, tell me of your experience. If you did not have but know something about it, you can also share that knowledge with me. I'm searching this subject for a new story. Thank you for your cooperation.

18 abril 2008

o mercador de areia # mr. sandman


Era um velho sábio com insónias. Para resolver o seu problema resolve procurar o mercador de areia (Sandman). Assim começa a história deste livro de Jean-Nöel Rochut. Mas o que me faz falar-vos dele não é a história (de que não gosto particularmente) ou as ilustrações (que também não fazem as minhas delícias, apesar de lhes reconhecer qualidade). "À Procura do Mercador de Areia" é hoje o tema do meu post porque estou incomodada com a falta de originalidade que há no mundo. E, embora pareça, isto não é uma crítica ao autor nem a ninguém em particular, embora o possa ser a muitos em geral. Ou melhor, se tiver que ser uma crítica a alguém, é-o também a mim própria.
Às vezes tenho a sensação de que as ideias, antes de nos virem à cabeça, andam numa espécie de saco comum, onde todos as podem ir buscar. E, irritantemente, parece que há sempre alguém que lá chega primeiro! Por muito original que um conceito nos pareça, se vasculharmos bem esse mundinho todo, há de certeza alguém que já criou algo parecido, senão mesmo igual. Tenho tido esta sensação em vários momentos ao longo da minha vida. Desde criança que me lembro de ter, pensava eu, ideias originais, para mais tarde me dar conta de que alguém já tinha inventado essa coisa ou conceito. Mas hoje, falo-vos concretamente de um conto que me tem dado muito trabalho a escrever.
Tudo começou com um desenho da minha filha ao qual eu resolvi aliar a minha imaginação para compor uma história. Depois inspirei-me numa canção, mais tarde num outro livro e fui tendo que reescrever o conto até que passasse exactamente a mensagem que eu queria, com muitos conceitos e lições subjacentes ao que se lê à primeira vista. Já perdi a conta às vezes que reescrevi este conto. Finalmente, dou-me por satisfeita e até me enchi de coragem para o enviar ao autor da música co-inspiradora para que aprovasse uma possível publicação do mesmo. Devo aqui dizer que ainda não obtive resposta, o que me deixa num grande dilema moral. Eu e a minha mania de rectidão de atitudes! Mas como se já não me bastasse tudo isto, descubro um outro livro (este) onde há ideias nitidamente parecidas com algumas que expresso no meu conto. Será que vou ter de o reescrever uma vez mais (agora que já estava como eu o queria)? Será que irá ficar de modo que eu continue a gostar dele (visto tratar-se mesmo de alterar ideias/conceitos de base)? Ai!... Está a ser um "parto" muito difícil!...
He was a wise old men with insomnias. To solve his problem he looks for the merchant of sand (Sandman). It's how the story of this book by Jean-Nöel Rochut begins. But what makes me talk to you about this it's not the story (which I do not particularly like) or the illustrations (which also did not make my delight, although I recognize their quality). "À Procura do Mercador de Areia" ("The Pursuit of the Merchant of Sand") is currently the subject of my post because I am disturbed by the lack of originality in the world. And, though it seems, this is not a criticism of the author or anyone in particular, although it may be of many in general. Or rather, if it has to be a criticism of someone, it is also of myself.
Sometimes I get the feeling that the ideas, before they come to our mind, go in a kind of common bag, where all people can go to. And annoyingly, it seems that there is always someone who gets there first! No matter how original a concept seems, if we search propperly this world, there is certainly someone who already has created something like that, if not equal. I had this feeling at several points throughout my life. Since a child I remember to have,at least I thought, original ideas, and later I discouvered that someone had already invented that thing or concept. But today, I speak to you specifically about a story that have given me a lot of work to write.
It started with a drawing of my daughter which I decided to combine with my imagination to compose a story. After I got inspired by a song, later by another book and I was having to rewrite the story until it become exactly the message that I wanted, with many concepts and lessons underneath. I lost count of the times that I rewrite this story. Finally, I am happy with it and even got the courage to send a copy to the author of the co-inspiring music to approve a possible publication. I must say here that I have not yet received an answer, and this puts me in a great moral dilemma. Me and my mania of rectitude in attitude! But as if it wasn't enough, I discovered another book (this one) where there is clearly a similarity to some ideas that I expressed in my story. Will I have to rewrite everything once again (now that I was happy with it)? Will I continue to like it (since I'd have to change ideas/concepts of base)? Ohhh!... Is being a very difficult "delivery"!...

Mas continuando a história deste "À Procura do Mercador de Areia": o tal sábio viaja de planeta em planeta e vai tendo várias aventuras até encontrar finalmente o mercador de areia. Mas infelizmente descobre que as suas areias mágicas só adormecem as crianças. No entanto há solução à vista para as suas insónias. O pequeno favor de abrir todas as noites o baú dos sonhos que irão povoar o sono dos mais pequenos, restitui-lhe o descanso reestabelecedor.
Este livro é das Edições ASA (1987). Uma curiosidade é que é patrocinado pela Caran D'Ache.
But continuing the story of "À Procura do Mercador de Areia" ("The Pursuit of the Merchant of Sand"): the wise men travels from planet to planet and he has several adventures until he finally finds the merchant of sand. But unfortunately he discovers that he's magic sand only works on children. But there is a solution in sight for his insomnia. The small favor of openning every night the arc of dreams that will populate the sleep of the kids, restores him his rest.
This book is piblished by Edições ASA (1987). One curiosity is that it is sponsored by Caran d'Ache.


30 dezembro 2007

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Já há estrelas no céu do novo conto para a minha semente.

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... Só o conto ainda não está terminado!

Era para ser presente de Natal, agora passou a ser prenda de Reis, e vamos lá a ver se será!...

Também este anjo já foi entregue, mas por falta de tempo ainda não vo-lo mostrei. Será em breve.

15 novembro 2007

continuação # continuation

... E como as conversas são como as cerejas (vai ser engraçado traduzir isto! ;oP) não consegui parar no final do post anterior. A propósito desse poema de Alberto Caeiro lembrei-me de outro que encontrei aqui dito novamente pela Elisa Lucinda em entrevista ao Jô Soares e ouvindo com atenção, reparem como tem a ver com este meu outro post (quando falo que só encontro as coisas quando já não as procuro). Estou a sentir uma incrível sensação de que não há coincidências! Mais à frente na entrevista, Elisa diz um outro poema, este de sua autoria, que eu já conhecia de um concerto da Ana Carolina, e que vale muito a pena ouvir. É um importante recado sobre corrupção, não só para o povo brasileiro mas para o "povo" do Mundo.

Fiquem com um momento muito bonito de Ana Carolina e Seu Jorge (mais uma "cereja" na conversa):
Have this beautifull moment by Ana Carolina with Seu Jorge (one more "cherry" in this conversation):


E agora para algo completamente diferente!!!... (Onde é que eu já ouvi isto? He he he...)
Quero agradecer mais dois galardões que me foram atribuídos pela Elisabeth (Thinking Blogger Award) e pela Marja (Arty Blogger Award). Só por curiosidade, esta última menina mora nos nossos antípodas (Nova Zelândia). Este alcance que a Internet tem fascina-me completamente!

English version:
... And because talking is like cherries (we can never take just one out of the basket! ;oP) I was unable to stop at the end of the previous post. That Alberto Caeiro's poem reminded me of another one I found mentioned in here again by Elisa Lucinda in a Jô Soares interview and listening carefully, notices as it relates to my other post (when I say that only find thing when I stop looking). I'm feeling an incredible sensation that that aren't such things as coincidences! Ahead in the interview, Elisa says another poem, this one of her own, that I already knew of an Ana Carolina's concert, and that is worth a lot of attenction. It is an important message about corruption, not only for the Brazilian people but for the "people" of the world.

And now for something completely different!!!... (Where have I heard this before? He he he...)
I want to thank two more awards which have been given to me by Elisabeth (Thinking Blogger Award) and Marja (Arty Blogger Award). Just as a note, this last girl lives in our diametrically opposed country (New Zealand). This power that the Internet has enchanted me completely!

O meu olhar é nítido como um girassol # My look is clear as a sunflower


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

Um poema lindíssimo e com muito "bom feeling" que conheci pela voz de Elisa Lucinda (actriz brasileira) quando ela cá veio fazer uns espectáculos. Hoje lembrei-me de vo-lo mostrar.
Uma curiosidade: tal como ela, também eu tenho olhos de girassol! (na foto não se percebem as pintinhas amarelas torradas misturadas no castanho) Sempre pensei que os direitos de autor desta expressão pertenciam ao meu marido, então namorado, mas afinal... Fernando Pessoa!... Só podia mesmo!...

Acho uma barbaridade traduzir poesia, mas compreendo, porque afinal não podemos entender todas as línguas do mundo, não é verdade?! E isto é para justificar esta tradução selvagem.

English version:


My look is clear as a sunflower.
I have the habit of walking the roads
Looking to the right and left,
And from time to time looking backward...
And what I see every moment
It is what I had never before seen,
And I know how to notice it very well...
I know how to have the essential amazingness
That a child has if, at birth,
Noticed that was born...
I am born every moment
To the eternal newness of the World...

I believe in the world as a daisy,
Because I see. But I do not think it
Because thinking is not understanding...

The World is not done to think it
(Thinking is being ill of the eye)
But to look at it and to agree with...

I do not have philosophy, I have senses...
If I speak of nature it isn't because I known what it is,
But because I love it, and love it for it
Because who loves never knows what he loves
Neither knows why he loves, or what is love...

To love is the eternal innocence,
And the only innocence is not thinking...

Alberto Caeiro, "The Guardador of Rebanhos", 8-3-1914

A beautiful poem and with very "good feeling" that came to me by the voice of Elisa Lucinda (Brazilian actress) when she came here to do some shows. Today I reminded to show you.
One curiosity: as she, I too have sunflower eyes! (the picture does not show the yellow roasted spots mixed in the brown) I always thought that the copyright of this expression belonged to my husband, then boyfriend, but then again... Fernando Pessoa!... Who else?!...

I think it's barbaric to translate poetry, but I understand, because after all we can not understand all the languages of the world, isn't it?! And this is to justify this wild translation.

11 novembro 2007

principezinho # little prince


Ainda em pesquisa para o novo conto de que vos falei aqui, terminei de ler "O Principezinho" (de Antoine de Saint-Exupéry, Editorial Presença). Era daquelas obras que me têm escapado ao longo dos anos. Desde sempre que me lembro de pegar nele nas feiras do livro em Lisboa, nas livrarias, e acabava sempre por lá ficar preterido a outros títulos, por me achar demasiado crescida para ele. Pensava erradamente que era apenas um conto infantil.
Finalmente, e a propósito das ideias que me inspiraram para este novo conto (um desenho da M. e uma letra de música), resolvi lê-lo. Tarefa para a qual contribuiu o meu lindíssimo marcados oferecido pela Ana. Still in research for the new story that you told you about in here, I finished reading "The Little Prince" (by Antoine de Saint-Exupéry, Editorial Presença). It was of those books that I have been missing over the years. Ever since I remember I took this book in my hands at the book fair in Lisbon, in bookstores, and I've always chosen other titles, because I felt too grown up for it. I wrongly thought that it was just a childhood story.
Finally, and because of the ideas that have inspired me for this new story (an M.'s drawing and a song lirics), I decided to read it. Task for which contributed my beautiful book marker offered by Ana.

A pouco e pouco, também a mim este pequeno príncipe emocionou! Cativou-me mesmo com a sua prosa poética e a sua simplicidade no olhar o mundo e as pessoas. Como sabem simples não é sinónimo de simplório! Little by little, this little prince moved me! Really captivate myself with his poetic prose and its simplicity in looking at the world and the people. You know simple is not synonymous of poor!

Dele extraí algumas passagens que, de alguma forma, me dizem mais. (cliquem na imagem para a ampliar) From it I've extracted some passages that, in some way, tell me more. (click on the imagem to expand it)

No final chorei e purifiquei a alma. Recuperei um pouco da paz que me tem faltado ultimamente e que para isso tem contribuído também muito a música que voltou a estar mais presente na minha vida e que oportunamente vou falarei mais acerca disso. Para já fiquem com esta dica: tenham que idade tiverem, se tiverem sensibilidade suficiente para isso, não deixem de ler ou reler "O Principezinho". Esta boca da sensibilidade é para quem já me disse que este livro é uma tremenda seca!... ;-) At the end I cried and purifiquei my soul. I Recouvered a bit of the peace that I have missed lately and that for this has also contributed much the music, once again more present in my life and about that I will talk more in a while. For now I leave you with this hint: no matter what age you are, if you have enough sensibility for it, don't miss reading or re-reading "The Little Prince." This provocation on sensibility is for the one that told me that this book is a tremendous bore!... ;-)

21 setembro 2007

quilt/diário # quilt/diary


Novamente em casa comigo, a M. dedicou algum tempo a rever o seu diário de bebé. Adorámos rever fotos que nos fazem notar como o tempo passa depressa. Ainda ontem tinha aqueles totós repuxos (de tão curtinho que o cabelo ainda era) e agora já é esta grandalhona!
Achei estético e fiz estes quilts virtuais com imagens do diário.
Por curiosidade, fui ver se tinha alguma página referente ao dia 21 de Setembro. Descobri que, em 21/09/2004, a M. andava a largar as fraldas. Vou transcrever uma pequena passagem: «(...)Mais à noite, quase ía fazendo outro xi-xi no chão do sótão, deixou sair duas gotinhas, ficou meio estranha (tipo assustada) e eu perguntei-lhe se queria ir à casa-de-banho. Aí ela levantou-se e foi para a casa-de-banho a dizer "pécha, pécha, pécha" (que quer dizer "depressa, depressa").»
Entretanto, a M. continua adoentada e quis voltar para a cama, onde ficou a ver "O Natal do Ruca" porque, segundo ela, já é quase Natal! :-|

E outra coisa: descobri que aquele blog de que vos falei ontem tem versões em várias línguas, embora para além da portuguesa só a francesa já tem uma participação. Resolvi divulgar pois como já vos disse acho uma ideia bem gira.

English Version:
Again at home with me, M. dedicated some time to review its baby's diary. We loved looking at photos that make us notice how the time passes by so fast. Only yesterday she had those teeny pony tails on top of her head (that's how short her hair was) and now she is this big girl!
I it found aesthetic, so I made these virtual quilts with images of the diary.
By curiosity, I wanted to see if it had some referring page on 21 of September. I discovered that, in 21/09/2004, M. was leaving her diapers. I'll transcribe a small passage: «(...) Later that night, she almost did another pee on the attic's floor, she released two little drops, she looked strange (scared type) and I asked her if she would like to go to the bathroom. Then she went saying “pécha, pécha, pécha” (which means "fast, fast” in portuguese).»
However, M. continues frail and wanted to go back to bed, where she stayed watching “Caillou's Holiday Movie” because, according to her, it is almost Christmas! : - |

And another thing: I discovered that the blog I told you yesterday has versions in other languages, although besides the Portuguese version only the French one already has a participation. I decided to divulge because, as I already told you, I find it a very amusing ideia.

21 agosto 2007

liberdade + livre arbitrium = preguiça ?


Toda a condizer, parece um limão verde e florido! ;o)

Hoje, ainda a recuperar de uma febre daquelas que vêm em força mas também desaparecem rápido, está a fazer mais um desenho para a avó. Mas, como de costume a preguiça invade-a e tenho que ser eu a dar-lhe cor ao desenho e enchê-lo com a imaginação que lhe deveria pertencer a ela, nesta idade. Talvez lhe falte imaginação! Espero que o meu entusiasmo a contagie! :o\

E a propósito de preguiça, não resisti a este poema, muito popular nos meus últimos anos de liceu:

LIBERDADE

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

Sábio Fernando Pessoa!

E ainda a propósito, lembro-me de há tempos ler neste blog, este texto de apresentação do espectáculo de Aldara Bizarro - A Preguiça Ataca - que esteve no CCB em Maio passado.

"Isso de não fazer nada existe? Quando estás a praticar o nada, o que estás a fazer? Um ser humano existe sem preguiça? Quando não nos apetece fazer nada, será porque nos apetece fazer tudo? Ou outra coisa? O trabalho liberta? E a preguiça? Prende?
Quando somos crianças, a preguiça acaba quando nos espreguiçamos e só regressa quando estamos exaustos da brincadeira. Quando somos adultos, a preguiça envergonha-se perante o trabalho que se avoluma e ninguém admite que a sente..."

Eu devia estar muito preguiçosa nesse dia, pois lembro-me de ter pensado: "Que bem que calhou ler este texto hoje!" Acho que me devo ter sentido menos sozinha e menos envergonhada da minha preguiça!

Mas hoje não me sinto preguiçosa, aliás até me sinto é revoltada com a imensa preguiça que a M. tem sempre que é para desenhar e pintar. Ela quer fazer os desenhos mas depois quer que seja eu a pintá-los e terminá-los. Ora, assim não vale, é batota!!! Além de preguiçosa é batoteira!

11 julho 2007

Shhhhiiiuuuuu!...

Muito Baixinho

Menina bonita não faz beicinho
Já lá vem a Lua tão devagarinho
E se não houver Lua numa noite escura
Brilha sempre uma estrela pela nossa aventura
E se essa aventura não acabar bem
Hás-de caber sempre no colo da mãe
E quando descobrires que a mãe estava a chorar
Hás-de dar-lhe um beijinho e partir a cantar
E esta cantiga te há-de abrir passagem
Menina bonita boa viagem.



Era deste texto da Clara Pinto Correia que eu falava, e foi publicado na pág.42 de "Um Minuto de Silêncio". Lindo! Shhhiiiuuuu!...

05 julho 2007

segundo minuto de silêncio

Anteontem esqueci-me de deixar uma nota final no meu post para um momento muito bonito no site do livro "Um Minuto de Silêncio". É um, ou melhor três momentos muito relaxantes, musicados por outro amigo e perfeitos para fazer uma pausa.

03 julho 2007

um minuto de silêncio

Tenho andado a conter-me para não fazer um post mais cedo sobre este livro, porque queria fazê-lo hoje, especialmente hoje, para uma querida amiga. Sim, é para ti Marisa!
Sabes que comprei o livro, mais por ser teu do que por qualquer outro motivo. Sim o tema é sem dúvida interessante, a ideia original, mas sem conseguir dar vazão aos livros da estante na categoria dos "para ler" não tenho comprado muitos livros para mim ultimamente. Mas os autores que escolheste estão a surpreender-me, como já era de esperar, e prendem-me o interesse. E o facto de serem pequenos textos (ou imagens) torna-os perfeitos para mim e para todos os que como eu só conseguem ter uns minutos de leitura por dia, antes de adormecer. E que tema mais perfeito para embalar o sono e ilustrar sonhos bons e relaxantes do que este? Silêncio!...Perfeito!

Outro facto que estou a adorar neste livro é a oportunidade de fazer um exercício de que tanto gosto e que consigo normalmente ao ler certos autores ou crónicas. Acontece-me, por exemplo, com Saramago. Ao ler este livro e os seus textos parece que consigo ouvir os próprios autores a dizê-los.

A propósito do tema, não consigo deixar de lembrar o poema lindíssimo de Maria Guinot "Silêncio e Tanta Gente" (que resultou numa música também ela iluminada). Ou outra, que tem a ver com a maneira como eu própria desfruto do meu minuto de silêncio, já deitada na minha cama, pensando o antes, o agora e o depois como diz tão bem Caetano Veloso em "Sozinho". Mas ainda gosto mais de ter o meu silêncio de manhã antes de levantar. - Ohhh, há quanto tempo isso não acontece!... Isto de ser mãe tem destas coisas. - Naquela altura do sono em que já não dormimos mas que também ainda não estamos acordados. Eu tive uma professora de desenho, Rosa Fazenda (escultora), que costumava dizer que era nessa fase do sono que muitas vezes conseguía resolver problemas da vida, onde a solução aparecia muito clara e simples. Esses seriam como que os momentos mais esclarecidos do nosso cérebro. Não sei se é um facto científico (podias perguntar ao António Damásio - como se ele não tivesse mais o que fazer!), mas é verdade que também o sinto assim. - Beta, se calhar também me podes elucidar sobre este assunto.

Não posso deixar de fazer referência à reflexão da Clara Pinto Correia. Chama-se "Muito Baixinho" e é um sussurro, uma canção de embalar... Um texto pequenino, dos mais bonitos que já li, e mais bem conseguidos também, por em tão poucas palavras sintetizar o que se quer para um filho. Desde o bebé que embalamos, ao desmistificar dos medos de criança, o adolescente aventureiro e por fim o jovem adulto que busca a sua própria independência. E ao longo de todo este percurso, a mãe como espectadora e "almofada" para conforto e amparo. Lindo, lindo, lindo!... É quase como que uma oração!...

Enquanto escrevia este post tive como banda sonora a Dulce Pontes e "O Amor A Portugal", que é outra música que me dá muita paz e, para mim, paz tem muito a ver com silêncio. Aproveitem para ver o vídeo do link que é lindíssimo.

E para finalizar, vejam o site Um Minuto de Silêncio para conhecerem melhor este projecto solidário, cujos lucros revertem a favor da Associação Portuguesa de Surdos.

29 junho 2007

Historinha da Matilde

Uma historinha que viu (ou vai ver) a luz só agora na escolinha da minha pipoca. Estava escrita há milénios mas ficou na gaveta, como todas as outras que já escrevi. Em resposta ao desafio da Márcia (a paciente educadora da minha irrequieta filha) para que a mostrasse aos meninos, ilustrei-a. Mas há tanto tempo que não desenhava nada do género, que resultou nisto!

Agora resta saber a reacção dos pequenos.

Já estou a trabalhar noutra com a praia como tema, também por sugestão da Márcia. E estou a pensar escrever uma, talvez em verso, inspirada num desenho da minha princesa. Quem sabe a consigo convencer a ilustrá-la!



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