09 janeiro 2008

a semente que cresce



Ontem a M. não queria ir à escola por um motivo mais incisivo do que os habituais. No dia anterior fez uma das suas travessuras e quando foi chamada à atenção ainda começou a rir em atitude provocatória! Nestas situações, o riso por vezes sai-lhe como um tique nervoso, mas noutras alturas ela tem mesmo a intenção de gozar. Eu sei! Eu conheço a peça!!! Não sei qual foi o caso, mas sei que a educadora ficou realmente chateada com ela. Há dias em que a M. está particularmente agitada e os disparates e provocações sucedem-se em catadupa, não obstante a nossa atitude castradora ou mais permissiva (já experimentei as duas e todas as entremédias). Quando a fui buscar, a educadora disse-lhe: "- Amanhã conversamos!". Logo aí, ainda na sala, a M. me pediu encarecidamente que não a levasse para a escola no dia seguinte. É difícil ver um filho a pedir-nos encarecidamente seja o que for, principalmente quando percebemos que há aflição por trás desse pedido. As palavras da educadora devem ter-lhe ficado a ecoar toda a noite na cabecinha. No dia seguinte, mal acordou já estava a dizer que não queria ir para a escola porque a Márcia estava zangada com ela. Eu expliquei-lhe que tinha que ir e que teria que arcar com as consequências do seu mau acto. Também lhe desmistifiquei o que se iria passar, pois percebi que ela estava aterrorizada. Expliquei-lhe que a Márcia lhe iria dizer o que ela tinha feito de mal e que ela teria que ser bem educada e não se rir em tom de gozo quando lhe dão um ralhete. Fi-la perceber (na sequência do dia anterior) que tinha agido muito mal e porquê. Disse-lhe também que devia pedir desculpas sentidas à Márcia e não deveria repetir os disparates. Tentei incutir-lhe alguma responsabilidade no que respeita aos exemplos que fatalmente dá (por já ter 5 anos) aos meninos mais pequeninos (de 3 anos) lá na escola. Esta parte custou-lhe a entender, e ainda não estou certa que tenha conseguído. Lá foi com o pai para a escolinha e, surpreendentemente, ficou sem mais hesitações do que as do costume (esconde-se atrás das nossas pernas a dizer que tem vergonha).
Ao final da tarde, quando a fui buscar, vi que ela estava muito bem disposta e mais sossegada. Perguntei-lhe como tinha corrido a conversa com a Márcia ao que me respondeu:
M.: - Eu pedi-lhe desculpa ao pé dela e ela ficou contente porque eu fui uma menina bonita.
Eu: - Então não te riste. Falaste a sério, não foi?
M.: - Eu ri, porque quando a Márcia ficou contente eu já pude rir!
É assim! A M. passa a vida a rir, é muito bem disposta! E superou o medo de enfrentar o raspanete sem grandes dramas e uma risota de alivio no final! Está a crescer a minha sementinha!


Imagens: Estudos de cor para uma tela para o quarto da M.

11 comentários:

Oris disse...

Antes de mais quero agradecer a visita simpática ao meu canto.

Já andei a espreitar por aqui e gostei das coisas bonitas que encontrei.

Achei muito interessante a maneira como lidaste com a ansiedade da M. Se todos os pais agissem assim, teríamos meninos mais confiantes e mais responsáveis...
Parabéns.

Beijitos

LAnita disse...

Me ha gustado mucho tu blog y tus creaciones. ¡Gracias por tu visita!
Un abrazo desde Heidelberg

belula disse...

Gracias por tu visita...Lindas cositas!!!!

Célia Jordão Alves disse...

Mãe que é mãe, sofre... :)

E dona de cão desaparecido também. Do Tobias, nada...

maria ferreira disse...

k mae preocupadinha com sua semente,tenho de ir aprendendo ok dizer nessas alturas quando o meu piolho foe para a escola mas ainda falta..
ikei triste por voce n poder partecipar mas comprêndo,fika para a proxima..
já te adicionei aos meus links para n me eskecer de voltar
bjinhux

Juca disse...

Amigaaa,

Ser mãe às vezes doi não doi? Termos que preparar as nossas sementes para que sejam pessoas responsáveis pelos seus actos e acima de tudo saberem lidar com isso não é tarefa fácil!!!!

Mas tudo anda conforme é de esperar e um dia... olhamos para eles e pensamos... está tão grande o meu bébé!

Enfim... é a lei da vida!

Beijokinhas grandes

)0( disse...

Obrigada pela visita lá no meu cantinho e parabéns pelas coisas lindas que crias.
:)
Beijinhos

Isabel Santos disse...

Olá!
Obrigada pela tua visita ao meu blog, e pelas tuas palavras simpáticas.
Também gostei muito do que vi, andei a procurar trabalhos em ponto de cruz, e estão muito bonitos.
Vou adicionar-te à minha lista.
Boa semana.
Beijinhos

Képia disse...

opá ficam giros assim os três. todos seguidos e todos diferentes :)

em relação ao tema do teu post, fez-me lembrar uma situação o ano passado no infantario com o meu filho manel. O manel sai á mãe, anda sempre com o pingo no nariz, mas exageradamente, temos mesmo que andar sempre de lenço em punho. O manel quando está nas horas lectivas do infantario anda sempre assoadinho porque a educadora e auxiliar são muito atentas... mas... quando a educadora sai e eles vão todos para uma sala chamada prolongamento, as auxiliares dessa sala têm lá mais 2737348449 mil crianças ao monte até os pais virem buscar, as actividades saõ muitos e elas são poucas e como tal não reparam e o manel andou uma fase sempre de "vela acesa" como se costuma dizer. Os miudos são crueis e ouve um dia que os melhores amigos dele lhe começarama a chamar ranhoso. Um dia tudo bem manel não ficou muito afectado mas ao segundo e ao terceiro, começou a dizer que não queria ir á escola e a chorar cada vez que se falava nisso. eu sem perceber tentei falar com ele e houve um dia que desespererei, porque ele começou a deixar de comer e a ficar adoentado. nessa noite sentei o manel ao meu colo e com toda a paciência do planeta tivemos uma conversa muito muito proveitosa, isto passado quatro dias para ai. percebi logo pela reacçºao e explicação dele que já andava tão entupido que não aguentou mais e contou-me finalmente, nem me passava tal coisa sobre o motivo que era.
fui logo falar com educadora expoliquei a historia toda e ela como sempre foi fantastica . contou aos amigos o que se estava a passar com o maanel disse-lhes inclusive que ele não tinha ido a escola nesse dia por causa disso e que se sentia um pouco doente de tristesa. como é que eles queriam remediar a situação. olha os proprios miudos tiveram então a ideia de ligar ao manel e falar com ele. pediram desculpa queriam muito que ele voltase, tinham saudades e gostavam muito dele.
Pronto
foi suficiente para a tranquilidade e normalidade voltar a vida do meu filho.
constato com isto que pequenas coisas mal resolvidas , podem ser de facto más coisas no futuro. temos de estar muito atentas.. não podemos aliviar a nossa atenção.

um beijinho minha linda e para a tua M. tb.

helena

Sonia M. disse...

A minha música é o "Eu Sei"

Anya disse...

É jeitosa... eles crescem e nem damos por isso. Mas é importante o que tu fazes: não a tratar eternamente como o bebé que ela ja não é. Custa... mas a tua mamã passou pelo mesmo, e a tua linda M. um dia também passará =)

Gosto-te como pessoa, como amiga... como mãe =)

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